Publicado por: Tássia Spinelli em: setembro 14, 2009

Foto: Silvio Tanaka.
Sabe quando você se sente um apêndice? Uma parte do corpo humano que não serve pra nada, que a gente diz que tem para fazer uma média, porque sabe que algumas pessoas não têm? É um dos dilemas de vida dos arquitetos de informação. No começo é tudo muito bom, principalmente no início de um projeto. O cliente quer escutar que o projeto tem AI ou UX, então o seu olhar otimista cai bem. Marquei UX no seu coração feelings. É aí que somos levados para as reuniões como analistas de produto, consultores astrológicos, conhecedores técnicos, porque afinal, qual dessas coisas não está em contato com o usuário, então podemos ser tudo isso!
E no dia a dia, como fica? Às vezes por não saber o que pedir, o seu chefe, vai sim, te passar trabalhos nonsense. Quero deixar claro aqui que a culpa não é do chefe. Sim, a culpa é nossa. Nós deveríamos não somente ter explicado o que um arquiteto faz, mas também o que ele entrega.
Em nossa empresa, estabelecemos que não somos espelhos de analistas de produto, arquitetos de software e muito menos diretores de criação. Ok, o NUX ainda está caminhando para ser alguma coisa, mas com certeza bem alinhado nos limites de ser e não ser um Núcleo de Usabilidade.
Abaixo, alguns exemplos que procuramos buscar com sucesso nessa empreitada dentro da Abril digital:
Nota: Nossos parâmetros são alinhados ao dia a dia da nossa empresa, do nosso processo (agile/scrum), portanto, muito cuidado ao replicar e tomar essas sugestões como um ISO. Também descobrimos que seguir um processo acadêmico às vezes é um mundo ideal dentro de milhares de variáveis, então é melhor sermos diretos ao ponto e nos fazermos entender mais.
TUDO NASCE DE UMA IDÉIA…

Foto: Silvio Tanaka.
1. Idéia – acompanhamento próximo ao Product Owner e argumentação se o conteúdo apresentado gera valor para o usuário;
Documentos que podem ser entregáveis: Pesquisa de audiência (ex: on line surveys), análise crítica de benchmarks ou testes de usabilidade (aham, é possível oferecê-los antes de fazer as melhorias).
Documentos que não precisam ser entregues: Pesquisa de oportunidades de mercado.
2. Briefing – Validação sobre quais seriam as necessidades do ponto de vista da AI com as outras áreas (PO e Arquiteto de software) para garantir a adequação da interface do produto e que as regras de negócio atuais estejam consistentes;
Documentos que podem ser entregáveis: NENHUM
Documentos que não precisam ser entregues: Definição de regras de negócios, histórias escritas, definições detalhadas sobre banco de dados, direção de arte, etc.
3. Slicing das features – Garantir que as features essenciais permaneçam no Release 1 e mantenham uma boa experiência para o usuário;
Documentos que podem ser entregáveis: NENHUM.
Documentos que não precisam ser entregues: os mesmos do item 2.
4. Especificação / Requisitos – Validar com o P.O todas as orientações de produto e criar um documento que seja de fácil entendimento a todos os envolvidos no projeto. Esse documento representa os padrões que serão aplicados, a estrutura da informação, o comportamento dos elementos e a apresentação da interface. Acompanhamento junto com qualidade (seo/qa) para a construção de critérios de aceitação. Protótipo navegável e validação com usuários reais.
Documentos que podem ser entregáveis: planilha de descrição do conteúdo, resultados de card sorting, protótipo navegável, vocabulário controlado, estudo de canais, fluxogramas, entre outros.
Documentos que não precisam ser entregues: os mesmos do item 2.
5. Layout – Validação da disposição visual dos elementos e feedback visual.
Documentos que podem ser entregáveis: relatório com orientações/modificações de acordo com as heurísticas de usabilidade.
Documentos que não precisam ser entregues: definição de grid, tamanho de imagens, planejamento visual.
6. Implementação – Validação de requisitos não funcionais (tempo de carregamento, acessibilidade, etc.).
Documentos que podem ser entregáveis: NENHUM.
Documentos que não precisam ser entregues: wireframes que impactem na sprint atual, garantia de testes detalhados de Q.A.
7. Testes – Consultoria ao Q.A do projeto e validação constante no ambiente de homologação.
Documentos que podem ser entregáveis: NENHUM.
Documentos que não precisam ser entregues: testes de Q.A..
8. Implantação – Avaliação do feedback do usuário.
Documentos que podem ser entregáveis: relatório ou workshop de feedback dos usuários (ex: acessos ao google analytics, testes com usuários, pesquisas de opinião, etc).
Documentos que não precisam ser entregues: ROI do produto.
É isso! Seguindo em frente e aprendendo sempre, até à próxima!
Um abraço do NUX.
Excelente texto. Me vi em várias etapas que você comentou, apesar de não carregar o título de Arquiteto da Informação.
Acho esse assunto apaixonante, de verdade.
O texto, no entanto, me gerou uma dúvida que nunca havia parado pra pensar antes. Existe alguma formação acadêmica própria para arquitetura de informação, ou o profisisonal dessa área é um especialista que veio de outras formações?
Essa pergunta já nos leva a outros questionamentos. Por exemplo, qual a formação ideal (ou preferível) para que alguém se torne um profissional em arquitetura da informação?
Parabéns pelo post.
Gostaria de aproveitar o espaço para sugerir uma outra coisa sobre a profissão de AI:
O que um arquiteto de informação pode mostrar em um portfólio? Acredito que sites prontos não revelaria o processo que foi desenvolvido.
Fica ai o pedido.
Abs
Muito bom o post.
Gostaria de aproveitar o espaço para sugerir uma outra coisa sobre a profissão de AI:
O que um arquiteto de informação pode mostrar em um portfólio? Acredito que sites prontos não revelaria o processo que foi desenvolvido.
Fica ai o pedido.
Abs
Muito bom o artigo.
Se todas as áreas tivessem essa clareza das responsabilidades com certeza as coisas funcionariam mais fácil.
[...] estamos em aberto aqui na agência, ou então ler o post do Núcleo de User Experience e entender um pouco do que um Arquiteto de Informação faz [...]
[...] O que um arquiteto de informação faz (e o que não faz) [...]
[...] que temos em aberto aqui na agência, ou então ler o post do Núcleo de User Experience e entender um pouco do que um Arquiteto de Informação faz [...]
setembro 14, 2009 às 6:44 pm
Admirável tua capacidade de escrever tão claramente bem de coisas pouco convencionais para leigos como eu. Parabéns! Agora eu posso explicar, beeeeeem rasinha, o que faz um arquiteto de informação =*